Viver a vida através da pintura

A pintura caminha comigo desde que me conheço como gente. Lembro das tardes na infância a brincar no atelier do meu pai enquanto ele produzia suas pinturas.


Lembro dos desenhos de BD que pedia para meu pai fazer com o traço bem leve para depois contornar e colorir por cima deles. Ou nos meus aniversários, quando meus pais deixavam que eu e meus amigos pintassem as paredes de casa, o que até parece um absurdo para muitos pais, mas isso, sem dúvidas fez com que eu pudesse explorar o mundo da criatividade, do tato, das cores, das novas descobertas que só a infância ingênua nos permite.


Mas por mais que sempre estive envolvido com a arte, por muitos anos fiquei sem desenhar ou pintar, pois era a música que havia tocado naquele momento.


Só durante a minha licenciatura em Design de Produto que essa paixão renasceu. O que mais gostava eram as aulas de modelo vivo. Sempre me interessei pela pintura clássica...aquele universo de alegorias, metáforas e simbolismos, unidos com o domínio da representação das formas e cores.


Entretanto, minha jornada na arte/ilustração esteve inicialmente ligada ao Street Art, onde São Paulo (minha cidade natal) é conhecida como a capital da street art no mundo.


Mas por volta de 2015 foi quando percebi que o que me preenchia artisticamente era a pintura clássica. Sempre fui apaixonado pelos velhos mestres da pintura como Rembrant, Caravaggio, Rubens, Raphael, entre outros.


A arte e minha pintura me trouxeram a primeira vez a Europa em 2018, quando fui selecionado para morar com o pintor norueguês Odd Nerdrum, um dos grandes nomes

da pintura figurativa do último século.


A pintura me fascina muito além das questões práticas e artísticas, mas ela me ensina sobre a vida. Respeitar os processos muito mais do que viver a busca de um resultado. Controlar as emoções, saber ser pragmático as horas necessárias da mesma maneira que deve saber explorar nos momentos certos.


Por mais que faça uma pintura do real, nunca gostei do termo pintura realista, ou mesmo os comentários “nossa, essa pintura parece uma foto”, pois gosto de pensar que não copio a realidade, mas crio a minha realidade através do meu olhar e minha perceção.


Viver a vida através da pintura é poder observar e transformar o ordinário em algo único e catártico.







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